A sorte não é magia. É alinhamento.

A maioria das pessoas imagina a sorte como algo que cai do céu, escolhe pessoas aleatoriamente ou responde a forças invisíveis que só alguns merecem. Essa ideia é confortável. Retira responsabilidade e cria distância. Mas é falsa.

A sorte não aparece primeiro. Aparece depois. Depois de alguém já ter caminhado muito.

Quando olhas para alguém bem-sucedido e dizes “ele teve sorte”, quase sempre estás a olhar apenas para o resultado. Não viste a travessia. Não viste o tempo em que nada funcionava. Não viste as tentativas erradas que não deram em nada, nem as decisões certas que não foram recompensadas na altura.

Sorte não é vitória. É probabilidade em movimento.

É preciso dizer isto com honestidade: fazer tudo certo não garante sucesso. Mas não fazer nada garante estagnação. A vida não funciona como um contrato justo. Funciona como um campo estatístico. Cada decisão coerente não promete vitória, mas aumenta a probabilidade. Cada escolha errada repetida não garante fracasso, mas empurra-te para ele. Isto não é motivação. É matemática humana.

Existe azar. Existe injustiça. Há quem nasça em desvantagem, quem adoeça sem aviso, quem nunca tenha tido escolha real. Há quem perca mesmo tentando tudo certo. Negar isso seria desonesto. Mas há algo ainda mais duro de admitir: entre quem perde tentando e quem nunca tenta, só um dos dois saiu da inércia. Só um aumentou as suas hipóteses.

A grande mentira silenciosa é esta: a maioria das pessoas não vive um azar. Vive uma ausência de direção. Não falhou por tentar. Parou por medo. Não perdeu oportunidades. Nunca se expôs a elas. E depois chama “azar” àquilo que, na verdade, foi inércia acumulada.

A sorte não aparece no começo da história…
(Se ainda não leste o primeiro texto, ele desmonta esta ideia de forma mais direta e prática — a partir da noção de probabilidade e escolha consciente — clica aqui.)

Ela aparece quando alguém já percorreu quilómetros interiores. Quando o corpo e a mente se alinham o suficiente para que o acaso tenha onde pousar. Quando aquilo que a pessoa quer e aquilo para que tem predisposição coincidem, os outros chamam-lhe sorte. Mas isso é raro. É uma combinação frágil de contexto, escolha, disciplina, encaixe, momento, resistência e sim, acaso. Mesmo assim, sem movimento, nem a melhor genética serve para nada. Talento parado apodrece. Sorte sem direção morre cedo.

A diferença real entre quem tenta e quem nunca saiu do lugar não está no destino. Está na distância. Mesmo que não chegues ao topo, não és a mesma pessoa que serias sem tentar. Talvez não venças. Mas também não ficas no chão.

A vida não promete vitórias. Oferece negociações. Ajusta probabilidades. Abre e fecha caminhos. Responde sempre ao movimento.

A sorte não escolhe pessoas. Revela. Não cria, não fabrica, não oferece. Apenas mostra quem andou.

E se este texto te causou desconforto, não foi acaso. Foi consciência a acordar. E isso, gostes ou não, já é o início da tua própria sorte.






Nota:

Este artigo reflete apenas a minha experiência pessoal. Para mais informações, consulte o [Aviso Legal].

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