Há um tipo de ativismo que não resolve nada. Só faz barulho. É aquele ativismo que interrompe, grita, mancha, bloqueia, acusa… mas não constrói. Não propõe sistemas. Não apresenta soluções. Não cria alternativas reais. Cria apenas incómodo. E o problema do incómodo, quando é vazio, é simples: as pessoas habituam-se. Quando o protesto é só ruído, ele deixa de ser ouvido. Quando é só choque, perde impacto. Quando é só culpa lançada ao ar, ninguém muda. Fica apenas a irritação. Existe uma grande confusão entre chamar atenção e criar transformação. Uma coisa não garante a outra. Provocar é fácil. Construir é difícil. E é por isso que a maioria dos ativismos modernos escolhe o caminho do palco, não o do projeto. É mais fácil pintar uma parede do que desenhar um plano. É mais rápido bloquear uma estrada do que escrever uma proposta séria. É mais viral destruir simbolicamente do que criar soluções práticas. Mas o mundo não muda por simbolismo. Muda por engenharia social, económica...