A frase surge recorrentemente quando se fala de génios no desporto, na matemática, nas ciências ou em qualquer área onde o desempenho atinge níveis fora da curva. E, quase sempre, a conclusão apressada é a mesma: para lá chegar, é preciso talento. Durante muito tempo, também acreditei nisso. A ideia de que a genialidade nasce pronta, como um dom raro distribuído a poucos, é confortável. Explica diferenças, justifica distâncias e poupa-nos a perguntas mais incómodas. Mas essa crença começa a ruir quando se observa o padrão real por trás dos grandes nomes. O que separa os que chegam dos que ficam pelo caminho não é apenas capacidade. É permanência. O talento pode abrir uma possibilidade, mas não sustenta um percurso. Sem consistência, ele manifesta-se de forma intermitente, irregular, inconclusiva. Brilha em momentos isolados, mas raramente constrói algo contínuo. Não nego o valor do talento. Ele existe e importa. Mas talento sem consistência raramente vence consistência sem talento. ...