O Conforto de Protestar e a Dificuldade de Resolver
Há um tipo de ativismo que não resolve nada.
Só faz barulho.
É aquele ativismo que interrompe, grita, mancha, bloqueia, acusa…
mas não constrói.
Não propõe sistemas.
Não apresenta soluções.
Não cria alternativas reais.
Cria apenas incómodo.
E o problema do incómodo, quando é vazio, é simples:
as pessoas habituam-se.
Quando o protesto é só ruído, ele deixa de ser ouvido.
Quando é só choque, perde impacto.
Quando é só culpa lançada ao ar, ninguém muda.
Fica apenas a irritação.
Existe uma grande confusão entre chamar atenção e criar transformação.
Uma coisa não garante a outra.
Provocar é fácil.
Construir é difícil.
E é por isso que a maioria dos ativismos modernos escolhe o caminho do palco, não o do projeto.
É mais fácil pintar uma parede do que desenhar um plano.
É mais rápido bloquear uma estrada do que escrever uma proposta séria.
É mais viral destruir simbolicamente do que criar soluções práticas.
Mas o mundo não muda por simbolismo.
Muda por engenharia social, económica e humana.
Mudanças reais exigem:
– dados
– estratégia
– diálogo
– pressão inteligente
– alternativas viáveis
– compromisso com execução
Não com gestos teatrais.
Quando o ativismo passa a ser uma performance, ele deixa de servir a causa e passa a servir o ego.
Não é o planeta que ganha.
É a imagem pessoal.
E isso é o sinal claro de que algo saiu do eixo.
O ativismo que funciona não precisa gritar.
Funciona porque:
– reúne decisores
– apresenta números
– expõe contradições reais
– propõe caminhos
– obriga respostas
– cria compromisso público
Isso sim gera mudança.
Protesto sem proposta é só descarga de frustração.
E frustração não move o mundo — só o cansa.
A diferença entre ativismo sério e ativismo performativo não está no volume da voz.
Está na profundidade da solução.
No fim, a pergunta certa nunca é:
“Quem está a protestar?”
É sempre:
“O que está realmente a mudar por causa disto?”
Se a resposta for “nada”, então não é ativismo.
É apenas… ruído ensaiado.
Nota:
Este artigo reflete apenas a minha experiência pessoal. Para mais informações, consulte o [Aviso Legal].

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