O medo do futuro é sempre antigo
Ao longo das últimas semanas tenho observado algo curioso: muitas opiniões sobre a Inteligência Artificial parecem negativas… até lermos com atenção. Quando lidas devagar, percebe-se que a pessoa até é a favor da tecnologia; mas quando lidas depressa — ou quando a pessoa fala de impulso — a sensação transmitida é de medo, recuo ou rejeição.
É quase como se, no fundo, todos soubessem que a tecnologia vai vencer, mas muitos não querem admitir isso agora.
E eu respeito profundamente as opiniões de toda a gente… mas também sinto que existe um risco real: quem não se adapta fica para trás. Não por falta de inteligência — mas por falta de flexibilidade.
E isto não é novidade nenhuma na história humana.
Quando a agricultura se industrializou, muitos trabalhadores manuais e artesãos ficaram com medo — e com razão, porque a mudança parecia tirar-lhes o lugar. Mas avança 150 anos no futuro e a história mostra outra coisa:
a tecnologia agrícola tornou a comida mais abundante, mais barata e mais acessível.
Hoje, nos países com tecnologia agrícola moderna, o salário mínimo compra uma quantidade de comida que seria impensável entre 1760 e 1850. O que se considerava luxo naquela época é banal agora.
E digo isto com base na minha própria família:
os meus avós dividiam uma sardinha por cinco irmãos.
Os meus pais já falam de frango assado ao domingo.
Eu, na minha geração, nem toco em sardinhas porque não gosto das espinhas.
Três gerações.
Oitenta anos.
Uma transformação astronómica.
E nunca senti na pele nenhum “desastre tecnológico”. Nem eu, nem os meus pais, nem os meus avós. Pelo contrário: a tecnologia tornou a vida mais fácil para todos nós.
Isso não significa que não existam desafios — significa que a curva final tende sempre a ser positiva para a maioria.
Então pergunto: porque raio com a Inteligência Artificial seria diferente?
Será que eu preciso de ler dez livros para encontrar a mesma informação que uma IA consegue sintetizar em segundos?
Não.
E, por causa disso, tornei-me numa espécie de autodidata adaptado ao futuro — não porque estudo mais, mas porque estudo melhor e mais depressa.
Vejo muitos a dizer que a IA tem perigos — e tem, obviamente.
Mas a resposta não é bloquear o futuro dos jovens.
Não é impedir.
Não é travar.
A resposta é ensinar o uso correto, criar literacia tecnológica, mostrar como usar a IA como ferramenta de pesquisa, não como substituto da inteligência humana.
O futuro não é nosso.
Pertence a ele próprio.
Mas se existe algo que a história já mostrou vezes sem conta é que, mesmo quando a evolução não se repete…
ela rima sempre.
Nota:
Este artigo reflete apenas a minha experiência pessoal. Para mais informações, consulte o [Aviso Legal].

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