Metacognição — o ato de observar o pensamento
Metacognição não é pensar mais. É deixar de ser engolido pelo que se pensa. A maioria das pessoas acredita que os seus pensamentos são factos, reflexos fiéis da realidade ou expressões autênticas do “eu”. Pouco se questiona a origem dessas ideias, o seu automatismo ou a forma como moldam decisões, emoções e comportamentos. Vive-se identificado com a narrativa mental, como se não houvesse alternativa senão segui-la. O problema não é pensar. É confundir pensamento com identidade. Quando alguém diz “sou assim” ou “não consigo evitar”, geralmente não está a descrever um limite real, mas a repetir um padrão mental nunca observado. A mente produz associações, julgamentos e previsões sem pausa. Quem não observa esse fluxo acaba a reagir a ele, como se fosse um comando. É aqui que a metacognição entra, não como técnica sofisticada, mas como mudança de posição interna. Pensar sobre o que se pensa cria um espaço mínimo, mas decisivo, entre o observador e o conteúdo observado. Nesse espaço, ...